“Não estejais ansiosos por coisa alguma: antes as vossas petições sejam, em tudo, conhecidas de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excedo todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Fílípenses 4:6-7)
Meditando nesta palavra e descobrindo as delícias que nos são servidas nela, lembrei-me de uma cena, muito comum em filmes onde, numa casa de família abastada, um dos personagens dirige-se à mesa do café da manhã, à qual já estão sentados outros membros da família. O serviço é 5 estrelas e os pratos inimagináveis. O recém chegado, que às vezes é o chefe da família, preocupado com os negócios, vem apressado, serve-se de um copo de suco ou um pouco de café preto.
Para nós seria difícil saber por onde começar, pois a fartura é tanta e a visão tão atraente que mal prestamos atenção ao diálogo.
Outras vezes o apressado é a mãe, cheia de ansiedade por seus compromissos que a permitem fugir da rotina doméstica; ou a filha, idealista e ativista dos planos de outros, a quem julga mais inteligentes e corajosos que ela própria, ou ainda, o filho, cheio de sua “deliciosa” rebeldia, sedento por uma bola de basquete, certo de que problemas só existem na cabeça de seus pais, que, aliás, os inventam. Então, o recém chegado à mesa, às vezes até serve-se de alguma iguaria muito atraente aos olhos e prova um bocado, quando se lembra do compromisso urgente e, olhando para o relógio, toma um último gole levantando-se e sai às pressas. Outros motivos também são recursos para alguém deixar a tal mesa: um repentino fastio sem explicação; uma palavra de cobrança ou de sarcasmo; a impossibilidade de se conter a ansiedade pelo que está por vir; a culpa por erros guardados em segredo e que impedem nosso personagem de encarar a família neste momento tão íntimo que é a refeição e o deixa sem o necessário alimento.
Vemos, frustrados, o banquete, que não poderia ser consumido por aquelas só pessoas nem em todas as refeições do dia, desperdiçado, porque, não raro, os demais membros da família também saem deixando seus pratos servidos. Eles não consideram que passaram a noite inteira em repouso e precisam do alimento para suportar o desgaste físico e emocional do corre-corre diário. Durante o dia, comem um lanchinho ou outro café e, se não terminam o expediente com um copo de uísque, atiram-se num imenso sorvete ou hamburguer, deliciosos e caros, contudo, totalmente insuficientes para atender às necessidades orgânicas de qualquer pessoa.
Muitos de nós relaciona-se com a Palavra de Deus exatamente assim: com o coração e a mente cheios de ansiedade, não conseguem parar para “degustá-la” e ‘ingeri-la “, não lhe dando a devida importância pois, estará sempre ali, à disposição, “eternamente”. Nem nos passa pela cabeça que um dia poderá vir a faltar !?!
Assim, cria-se uma geração de “desnutridos”, não por falta de alimento mas, por total falta de entendimento. Ah! Então adoecem! Tonturas, dor aqui e ali, desânimo, mal humor, insônia, etc.. Tudo é procurado: conselhos de farmacêuticos e amigos sabe-tudo, lazer do mais requintado, mudanças de ares em viagens maravilhosas, estimulantes, calmantes, amantes…
Somente quando acontece de aparecer um sintoma mais sério (uma infecção, um “caroço”, um desmaio) e o pânico se instala, é que lembram do médico! Bem, vamos a ele! E daí? Conta-se os últimos sintomas mas não se consegue relatar nem o histórico da última semana: não sabem o que comeram, beberam. assistiram, ouviram, sentiram ou sequer pensaram. O lixo está todo lá e o médico é obrigado a adivinhar.
Bem, quando estabelecemos aqui um paralelo com nosso relacionamento com a Palavra de Deus, nosso médico é o próprio Deus e ele não precisa adivinhar – ELE TUDO SABE! Então, ouve nossa queixa e ministra o remédio.!!! DESASTRE: não somos capazes, a estas alturas, de compreender o tratamento ministrado, pois não conseguimos fazer a “ponte” entre o nosso mal e suas causas. É preciso para, olhar prá trás, reconsiderar atitudes, sentimentos, motivações, informações adquiridas no lugar do Valioso Alimento.
Ter coragem de admitir que não cuidamos da nossa “saúde’; abandonando os “banquetes” servidos e substituindo-os por “guloseimas” e “bebidas” atraentes e insubstanciais é o primeiro passo. É preciso começar do início, voltar ao alimento verdadeiro, gastar tempo na mastigação e ingestão, fazer exercícios adequados, oxigenando nosso cérebro e aliviando as tensões provocadas pelos maus hábitos.
“Não estejais ansiosos por coisa alguma: antes as vossas petições sejam, em tudo, conhecidas de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excedo todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:6-7)
Ao procurar o médico é preciso alguns procedimentos prévios: “Não estejais ansiosos por coisa alguma”: É preciso sossegar, respirar fundo, considerar que é nele que encontra-se a solução para o nosso mal; é preciso confiar – ainda que com algum esforço: CALAR AO ENTRAR NO CONSULTÓRIO/ÁTRIO…
“antes as vossas petições sejam, em tudo, conhecidas de Deus pela oração”: Quando começarmos a falar, é preciso relatar as circunstâncias com clareza (para que nós mesmos possamos nos situar), o que requer uma prévia e criteriosa reflexão, encarando com sinceridade nossas atitudes e sentimentos.
“e súplicas”: É preciso descrever detalhadamente as dores, carências, desejos, dificuldades, desajustes, obstáculos, ansiedades, angústias, etc., pedindo uma cura para cada problema.
“com ação de graças.”: É preciso ter claro em nosso coração e em nossa mente tais súplicas, pois, a estas alturas, nós já saberemos com quem estamos tratando e a esperança da cura começará a crescer, e com ela a gratidão. Tal como em requerimentos escritos onde, no final escrevemos: “certos de contar com vossa prestimosidade para conosco, antecipadamente agradecemos…”, esta deve ser a disposição do nosso coração, derramado diante do nosso Deus/médico. Agradecer antes da cura e depois também. Esta é a paga da consulta que ele espera receber.
Então vem o que não se espera: o brinde, o “souvenir’ o prêmio imerecido e impagável: “e A PAZ DE DEUS que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” Ele não vai esquecer de nós quando nos levantarmos para sair do consultório/átrio e vier outro paciente. Ele vai conosco prá casa, pro trabalho, pro lazer. Vai cuidar de nossos compromissos e nos alertar a cada possibilidade de erro e nos chamar com carinho de “filho amado”; vai preparar o nosso alimento diariamente e segurar a nossa cabeça quando nos sentirmos fracos; vai ouvir nossas queixas quando a opressão vier e nos livrar de todo o mal, pois estaremos fortalecidos pelo “alimento” e exercitados pelo tratamento.
Contudo, nós não precisamos esperar o mal para buscá-lo. Façamos isso HOJE, quando estamos sadios. Vamos praticar medicina preventiva, alimentação adequada, lazer saudáuel e higiene mental.
Florianópolis, 29 de Julho de 1998.



#1 by Roberta on 7 de setembro de 2009 - 7:22
Que mensagem maravilhosa, Mara. Deus continue falando contigo e que vc continue a compartilhar isso conosco. Beijos.