Amigos


Existem algumas pessoas a quem vemos todos os dias. Por exemplo, o recepcionista do prédio em que trabalhamos, ou o motorista do onibus que nos leva ao trabalho, ou a senhora que limpa nossa sala a nossa mesa. Todos os dias lhe damos um sorriso, ou apenas respondemos ao seu bom dia. Todos os dias sabemos que ela está ali, mas nem todos os dias a percebemos, principalmente nos dias em que estamos muito bem, ou muito mal e nem pensamos se ela poderá fazer diferença no nosso estado de humor, porque tudo o que trocamos com ela é um -Bom dia! ou menos que isso! Às vezes sabemos o seu nome, sua nacionalidade e seu estado civil. Podemos até saber se tem filhos e se eles são importantes, porque essas pessoas muitas vezes são falantes dos próprios filhos! Elas não têm muitas preocupações com o trabalho, mas tem muitas preocupações com suas famílias.

Um dia a encontramos em um local diferente, em uma situação diferente, e ela nos reconhece! Vem falar conosco e estamos com amigos ou com a nossa família, ou ainda estamos sós e tristes. Ela nos dá aquele seu sorridente -Bom dia! mas não vai embora. Isso é estranho porque todos os dias passamos por ela mas seguimos em frente. Ela fica onde está o seu trabalho. Mas agora ela está ali e não vai sair. E descobrimos que aquela pessoa que nos parecia tão familiar, não passa de um estranho! Falar o que? Não sabemos nada dela. Mas ficamos surpresos ao descobrir que ela sabe muito de nós. Ela nos observa todos os dias, ao passo que não lhe damos mais do que alguns segundos da nossa atenção. E ela percebe o nosso embaraço. Porque ela sabe, melhor do que nós imaginávamos, que não a conhecemos. Nunca sequer lemos o seu crachá para saber que cargo ocupa. Muito menos fomos ao RH para saber suas qualificações, seu perfil psicológico ou as peculiaridades do seu caráter. Até acreditamos que ela existe, porque a vemos todos os dias e também vemos o resultado do seu trabalho. Mas não podemos sequer dizer que acreditamos nela, na sua palavra, no seu caráter e muito menos no seu aprêço por nós… porque, simplesmente, não a conhecemos!

Assim é com a pessoa que chamamos de Deus. E mais ainda com o que chamamos de Seu Filho, Jesus! Sabemos que eles estão em algum lugar. Muitas vezes tivemos situações em que falamos com eles. Algumas pessoas conseguem até brigar com eles e, mesmo assim, não podem crer, porque não sabem nada deles. E no momento em que estamos sós, quando nos encontramos com eles porque ninguém mais ficou e sabemos que eles não vão arredar os pés de perto de nós… dizer o quê?

Quer saber? Não diga nada! Nada além de, me perdoe!
E espere! Eles saberão o que falar!

“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6:6)

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