De segunda a sábado

Como é bom entrarmos cedo no templo, rever rostos queridos e estar no meio de pessoas com as quais podemos estar “desarmados”, com a mesma liberdade com que chegamos em nossa própria casa! É domingo! Vivemos todo o dia, por vezes almoçando com outros irmãos, passeando, rindo, ou ainda que seja compartilhando dores e, à noite, retornamos ao templo para novo período de reconfortante louvor e profiláticos puxões-de-orelha recebidos na pregação da Palavra. É a igreja de Jesus se reunindo para a necessária reposição de forças, para a renovação das esperanças, para a recarga dos suprimentos dispendidos durante toda a semana, para o alívio das tensões sofridas nas batalhas e limpeza dos inevitáveis ferimentos do cristão que não fica escondido em “casamatas”   por seis dias, mas que, de segunda a sábado se lembra de que este é o tempo de se levantar contra as portas do inferno!
Existe uma cultura, camuflada em nossos discursos, latente, subversiva, silenciosamente maligna, que nos leva a acordar na segunda-feira com os pensamentos e sentimentos de que “voltamos à realidade”, como se o Reino de Deus aos domingos, em sua expressão mais mensurável aos nossos sentidos humanos, fosse um momento de devaneio e, porque não dizer, de fuga da dureza da vida secular.

Não, é o contrário!!! Lembra-se? “No mundo tereis aflições. Mas, tende bom ânimo, porque eu venci o mundo.” Foi Jesus, nosso Senhor, quem disse isto. E ele estava falando sobre ser igreja no mundo.

É lá o lugar da igreja! A maior atuação, o maior investimento dos recursos, a concentração das batalhas de oração, o maior exercício dos frutos e dons do Espírito Santo,  a verdadeira obra delegada à igreja pelo “Ide!” deve ser do lado de fora das paredes dos templos. É lá que estão os cativos, os doentes, os desanimados, cujo socorro o Senhor colocou em nossas mãos.

O templo, nosso quartel-general, é lugar de refrigério passageiro, o descanso do sétimo dia, para a Glória do Senhor nosso Deus que em tudo o que determina é perfeito eternamente. Amém!

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Auto análise

A pior espécie de covardia é o egoísmo, porque a pessoa não enfrenta nem a si mesma!

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Novo Nascimento

Já experimentei muito do gosto amargo de sentimentos trazidos por lembranças. Cada sensação de rejeição e desvalor por me comparar a pessoas que deveriam estar na sarjeta mas que, em algum momento ocuparam lugar de honra. A Deus não passam desapercebidos nossos sentimentos e ele sabe o que podemos ou não suportar. Que trabalho está sendo realizado em nós através desse entalhe tão doloroso? Só Ele mesmo o sabe!
Mas, uma coisa é certa, é para o nosso bem! Caramba! Isso deveria aliviar, consolar, animar! Mas porque não acontece?
Bem, não acontece do jeito que gostaríamos, mas a cada dia ficamos mais resistentes, de alguma forma que não entendemos. Suportamos, um dia de cada vez, exatamente como resultado do que Jesus disse: “… mas tende bom ânimo, porque eu venci o mundo.”
Esta para mim foi a palavra mais dura e mais objetiva de todo o evangelho. Retrata a honestidade do plano de Deus para nossa salvação em toda a sua essência. Faz-me pensar em que somos peixes pescados por Jesus em um dado momento da nossa vida e que, para isso precisamos passar pela rede, ou pelo anzol! Morrer não é fácil, e é isto que está acontecendo conosco, embora tenhamos pensado que o batismo fosse algo que acontece apenas num instante. 
Entendo agora que o batismo é o símbolo do início da morte, pois ainda lutamos para nos manter vivos para o mundo, mesmo não tendo muita consciência disso.  E a prova maior disso é o orgulho que está presente em cada sentimento desses que citei no início.
Porque não nos julgamos merecedoras destes sentimentos, por nos acharmos dignos de coisas melhores.
Cada vez que me lembro da cruz, penso que os sentimentos mais cruéis que Jesus teve, não estavam na dor da carne, mas na alma, quando era exposto em vergonha por pecados que nunca cometeu. Os homens que presenciaram não o sabiam, mas cada anjo e cada demônio que estavam ali, tinham a exata idéia do que acontecia no mundo espiritual. Ele, o Santo, em trajes espirituais de imundície! Abandonado pelo próprio pai e diminuído abaixo do homem mais asqueroso e repugnante. Como o diabo deve ter se divertido naqueles momentos!
E como o diabo é burro! Burro como todo ser orgulhoso. É incapaz de enxergar o poço fundo que está adiante, e no qual cairá no próximo passo. E é por isso que Deus permite a nossa humilhação. Já percebeu que só passam por humilhação os que são de Deus? Porque os que não são revidam com a mesma intensidade em desprezo, ironia e até em violência.
Creio que posso entender porque alguém mente, rouba ou mata, sistematicamente. Porque se sente humilhado de alguma forma e precisa compensar isto. Como não é capaz de suportar por não ter o Espírito Santo, reage e cria novos abismos para si mesmo.
E nós, como protegidos do Senhor, sofremos a humilhação na alma e na carne, morrendo um pouco a cada dia, até que o tratamento tenha resultado no novo e completo nascimento do novo homem. Um parto de muitas horas…
Temos caminhado com a igreja há tempo suficiente para saber que muitos nascituros não vingam, mas resultam natimortos.
Outros tantos, nascem machucados, ou, por terem recebido atendimento tardio, demoram a se desenvolver, mas vivem.
Outros, parece que têm mais sorte e nascem com mais facilidade, sofrem menos e são mais sadios. Se pensarmos que é sorte, admitimos que Deus é injusto.
Mas isto não é verdade e a explicação não é dada exatamente para que confiemos cegamente naquele que tudo sabe, inclusive o motivo pelo qual nos é negada esta explicação. Isto também é para o nosso bem.
Por fim, nascemos, mais cedo ou mais tarde. Com mais ou com menos saúde e vitalidade. Mas nascemos para sermos tomados nas mãos pelo próprio Pai.
O quanto um bebê é responsável pelo próprio nascimento? Creio que a resposta à necessidade de conforto que sentirá está no quanto o bebê luta para não passar por aquilo ou o quanto se entrega aos cuidados do parteiro, na limpeza, nas medicações, na alimentação, na respiração dolorosa, no sentir cada parte do seu organismo funcionando de uma forma nova e completa, trazendo desconfortos que no momento parecem eternos, mas que, logo perceberá que são exatamente o que o fará sentir-se tão bem, tão vivo!
Estou escrevendo tudo isto pensando em como as coisas de Deus são loucura para o mundo e como as coisas do mundo são loucura para Deus. E me sinto sã diante de Deus! Isto é como estar num colo apertadinho e quente depois de lutar tanto para nascer. Que conforto têm os braços do Senhor! Nada pode me arrebatar daqui!
Minha oração é que você possa experimentar este aconchego. Que você possa, a cada dia, sentir o desconforto do parto diminuir e a nova vida fluir com sensações de saúde e vitalidade que são os requisitos para a alegria de viver. Que as circunstâncias não sejam mais significativas do que o ar que respiras ou do que o olhar do Pai que está sobre você TODO O TEMPO. E que a constatação da loucura seja exatamente o atestado de saúde que você precisa para ser um cidadão do Reino de Deus.

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Gratidão

Meu Deus,
Meu Senhor,
Quanto eu te sou grata pelas tuas misericórdias! Senhor meu, tu és o meu amor, o meu tesouro. Tu és a minha âncora. Tenho diante dos meus olhos todas as tuas obras pelas quais tens transformado minha vida, restaurando minha alma, dignificando meu ser.
A cada dia tu tens aumentado nossa alegria com o cuidado que, de tão minucioso, foge à nossa percepção por causa da nossa insensibilidade. Minha gratidão nem mesmo pode alcançar o mérito de ser justa, pois nem mesmo posso saber tudo o que fazes para me sustentar, me livrar, me edificar e me garantir a permanência no teu reto caminho! Sei que é pura misericórdia, Pai! Obrigada!
Vejo tua obra na minha família. Cada dia tu acrescentas o teu amor em nossos corações. Mesmo com a dureza que guardamos, mesmo com as barreiras que construímos, tu nos tem amado com tal amor que nos tem derretido o coração. A cada dia tu acrescentas o teu amor em nossos corações!
Pai, tu tens nos dado suprimento, abrigo, segurança, saúde e livramento dos nossos inimigos e das contingências deste mundo injusto e cruel. Tu administras nossos bens de acordo com teus pensamentos para cada um de nós e nos edifica entre a fartura e a escassez. No entanto, querido Pai, sei que as nossas necessidades humanas, as nossas necessidades físicas, emocionais e psicológicas não são a nossa prioridade número um, mas sim a salvação da nossa alma, a garantia da eternidade contigo, Senhor. Pois, para isso, por causa do teu tão grande amor por nós, tu não pagaste com ouro nem prata o nosso livramento, mas deste o teu próprio sangue.
Que momento aquele, Senhor! Tu sofreste uma dor que jamais poderá ser interpretada ou compartilhada com qualquer ser humano. A dor física de teu filho Jesus talvez tenha sido experimentada por muitos homens em circunstâncias diversas, mas, naquele momento tu experimentaste algo inimaginável, pois, à agonia da cruz somaste toda a dor da culpa da humanidade. O pecado de cada um, que já pisou ou ainda vai pisar esta terra, foram encerrados no Senhor, tornando-O o mais miserável e desprezível ser, a ponto de impedir que Tu, o Senhor dos Exércitos, o Pai misericordioso e maravilhoso, amado em toda a tua essência, O pudesse contemplar. Virando o rosto, num gesto de abnegação, absolutamente inacessível à nossa compreensão, com tal sofrimento pela atitude que nós O obrigamos a tomar por causa do nosso pecado, permitiste o encerramento da nossa dívida em uma única parcela: A MORTE DO NOSSO SENHOR JESUS. Ai! Senhor, foi por mim!
Pai, amado! Que momento aquele! Tanta dor, comoção tal que o dia escureceu. Quem é este Deus que muda o meio do dia em noite? Oh, Senhor! Como se isso não desse vazão ao teu sofrimento, tremeste a terra! Como pudeste não a destruir em meio a tais sentimentos? És mesmo Deus e Senhor absoluto de todas as coisas e de Ti mesmo! Quem pode compreender que, num momento em que entregavas teu filho a tal martírio, cuja agonia jamais será compreendida pelo ser vivente pois, não há santidade em nós para experimentar a indignidade que experimentaste, Tu, Senhor, levantaste da tumba os mortos, abrindo-lhes o sepulcro, permitindo a tantos que voltassem aos seus? Quem é como Tu, Senhor? Quem tem amor? Quem pode me guardar com mais cuidado? Quem pode suprir minha alma de descanso?
Deus meu, Senhor da minha vida! Eu tenho que agradecer, pois não posso conter a gratidão em mim, que transborda em emoção sincera e faz tremer meu ser. Nem tenho medida para isso: tentar seria inútil! Toma, Senhor, o meu coração e recebe a minha adoração em fidelidade, amor e afeição, por ti.
Tudo eu dou a Ti, pois a Ti tudo pertence! Que maravilhoso é pertencer ao teu aprisco, Senhor. Descanso nessa notícia: nenhum mal tem poder sobre mim, pois, meu Paizinho me guarda! Amém!
Para a Tua Glória, Senhor
Florianópolis, 11 de dezembro de 1999.

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Expectativa X Esperança

É do homem…                                                  Vem de Deus!

Decepciona…                                                  Acalenta nossos anseios!

Gela o coração…                                           Aquece a alma!

Tem forma definida…                                 É inimaginável!

Tem data e hora…                                   É no tempo de Deus!

É um sonho trancado no coração… É um sonho deixado no altar do senhor!

Florianópolis – SC, 07 de agosto do ano de 2005 da Graça do Senhor!

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A Alegria

Tenho ouvido e lido muitas coisas sobre a depressão, mas nada, ou quase isto, sobre a alegria. Parece que só dá status falar dos problemas, porque os médicos são procurados para a cura. Mas, nem sempre foi assim. Li em algum lugar que, na antiguidade, em alguma parte do mundo, os médicos eram responsáveis por manter a saúde das pessoas. Caso alguém ficasse doente, o médico poderia até ser castigado.
Hoje vivemos na cultura do saneamento tardio, da busca por soluções de problemas e não da manutenção da integridade física, emocional e social. Embora se fale tanto em exercícios físicos diários para se manter a saúde, isto não parece ser uma coisa muito eficaz, pois vemos ao nosso lado tantas pessoas que freqüentam academias caras, fazem longas caminhadas por lugares lindos, alimentam-se com tudo o que há de melhor no mercado e mesmo assim vão ao psicanalista para tratarem a depressão.
Eu mesma tenho convivido, por longos anos, com a visita esporádica dessa desconfortável situação emocional. Em todas as vezes em que me encontrei em total prostração, física inclusive, não aceitei recorrer a drogas. Essa resistência não é sem fundamento, embora, há alguns anos eu não soubesse explicar o porquê. Hoje, depois de ter lutado incontáveis vezes com todo tipo de depressão, posso seguramente falar sobre como obtive vitória em cada uma delas, sem exceção. Estou falando de um período de 28 anos.
Perdoem-me, todos que tiverem acesso a estas palavras, pela ousadia de escrever sobre um assunto dito de exclusivo domínio por parte dos profissionais da medicina. Não tenho a pretensão de usurpar a autoridade dos estudiosos da área. Quero apenas compartilhar minha experiência e tudo o que o Deus vivo tem feito em minha vida.
Há muitos anos, quando ainda tinha meu filho bem pequeno, eu me sentia profundamente envergonhada de sentir tristeza. Seria para mim a assunção da rejeição e isso era indigno demais. Então, quanto mais triste ficava, mais tristeza eu contratava, pois minha tristeza tinha como causa a própria tristeza.
Nesse tempo eu desenvolvi um mecanismo inteligente de defesa: a impassibilidade. É impressionante como você consegue não transparecer nada, absolutamente nada, quando se torna impassível. Congelava a dor e a decepção em meu coração e jamais qualquer pessoa tinha acesso aos meus pensamentos. Certamente meus familiares percebiam alguma forma de amargura em mim pelo fato de acompanharem todos os motivos que me levavam a ela. Contudo, poucas vezes, ou quase nunca percebiam a realidade terrível que se passava em meu coração. Eu tentava compartilhar com meu filho, pois era a minha jóia, meu tesouro. Mas, é claro, ele não podia compreender. Por isso, meus sentimentos eram deliberadamente disciplinados, programados para não se manifestarem, retraídos, até não ser mais possível senti-los.
O mais impressionante neste processo é que eu sempre me preocupei em não me tornar uma pessoa amarga. Eu pedia isso a Deus, da maneira como eu podia, pois o mundo ainda tinha muita importância para mim. Eu tinha expectativas enormes com relação às pessoas. Eu desejava, ou mais que isso, eu necessitava desesperadamente que as pessoas me aceitassem, que gostassem de mim. E a depressão me corroía sorrateiramente. Uma das conseqüências desse processo foi a perda de peso. O desânimo era administrado diariamente para eu poder trabalhar e administrar as tarefas de casa. A única coisa que me enchia o coração era a presença do meu filho. Deus sempre tem um lenitivo para nos suportar em tempos difíceis, mesmo quando estamos na desobediência por ignorância. Ele é misericordioso e justo, e conhece o nosso coração.
Minha situação agravou-se tanto que comecei um processo de autodestruição física. Eu percebia o que estava acontecendo e temia pelo pior. Tinha profundas e agudas dores nas costas. Para poder arrumar minha cama eu precisava ficar ajoelhada. Fazer um breve percurso de ônibus era uma tortura. Minha pressão era quase sempre tão baixa que eu andava preocupada em estar perto de algum lugar onde pudesse ser socorrida caso desmaiasse. Sempre acompanhada por um médico que era também amigo, tinha nele uma forma de desabafar alguns dos sentimentos que me angustiavam. Mas, reservava todos os pensamentos que me faziam sentir inferiorizada apenas para Deus e para mim mesma. Contudo, havia sentimentos que eu não admitia nem mesmo para nós dois. Apenas os congelava, ignorava, escondia.
Para fugir disso tudo, eu necessitava estar sempre no meio de gente barulhenta, de música, de falatório, festas, baladas, etc.. Eu gostava muito de conversar, horas a fio, fosse lá o que fosse o assunto. Eu precisava falar. Eu precisava rir. Eu precisava que as pessoas me vissem bem!
Então, o antagonismo que existia entre minha vida aparente e minha intimidade, acabou por me levar ao silêncio. Não consigo encontrar outra palavra para descrever o que aconteceu nesse período. Caiu sobre mim um silêncio tão grande que nada mais conseguia chamar minha atenção. Tudo o que eu gostava não tinha mais sabor. As pessoas, as atividades, os passeios e festas, nada! Era um silêncio interno muito mais do que externo. Era um silêncio de pensamentos e de sentimentos. Era o vazio total. Dentro de mim havia um abismo. Se antes eu tinha que lutar para que os sentimentos se mantivessem congelados, agora eu havia sido amortecida por eles. Minha vontade já não mais atuava e eu apenas era triste. Acho que a arrogância nunca foi um traço tão forte do meu caráter quanto nessa época. Era a única arma que me restava para defender minha dignidade, pois eu imaginava que me expor traria vergonha e dor.
Bem, quando eu cheguei realmente no fundo do poço, percebi que estava morrendo. Tenho certeza de que se as coisas não tivessem mudado, eu teria morrido de tristeza. Apenas teria definhado. Guardo uma foto dessa época como testemunho.
Foi então que comecei a ouvir, no profundo silencio que se estabelecera em minha alma, a doce voz do Senhor, embora eu não soubesse na época que era Ele. Então eu chorava. Certamente nos registros do meu médico isto deve estar gravado. Eu chorava de manhã e de noite. Às vezes ligava para ele e dizia que precisava parar de chorar para ir trabalhar, mas que eu não tinha controle sobre isso. Eu chorava de dor. A dor era profunda e parecia incurável. Eu acordava de manhã e desejava não ter acordado. Tenho certeza de que Deus havia permitido que meu filho viesse ao mundo, pois foi o único elo meu com a vida.
E Deus começou a falar. Às vezes me questionava sobre pecado. Eu ia à Bíblia, lia e pensava que era interpretação de homens e nada tinha a ver com Deus. Isto porque o que estava acontecendo comigo eu ainda não identificara como sendo o mover do Espírito. Eu não sabia, até então, que Deus nos tocava assim. Apenas estava passando por este constrangimento absolutamente incontrolável, lutando como desesperada para voltar a dominar meus sentimentos, pois agora eu precisava estar sempre recolhida para chorar.
Então, um dia, minha irmã me convidou para ir com ela a um culto em uma congregação evangélica. Eu já tinha ido a outra igreja evangélica, formal e tradicional onde me senti numa vitrine quando me pediram para levantar como visitante. Odiei a sensação. Achei tudo uma tremenda falsidade. Como podiam aquelas pessoas, que mal me conheciam, dizer que estavam felizes com a minha presença ali? Era um completo absurdo.
Eu fora católica até então. Freqüentava a igreja aos domingos e clamava a Deus por favores que eu julgava necessitar. Mas nunca era atendida, no meu ver. E, de uma coisa eu me lembro bem: a cada término de missa, o padre abençoava o povo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Eu me ajoelhava e tomava posse daquilo como de uma tábua no meio do oceano. Era quase tangível aquela bênção como se fosse uma migalha do amor de Deus que eu podia alcançar. As pessoas não tinham o costume de se ajoelhar nessa hora. Eu era a única que fazia isso e não me importava se achavam estranho. Era um prazer único. É impressionante como me lembro disso.
Mas, nesse mesmo tempo, pouco antes de visitar igrejas evangélicas, eu comecei a perceber que os ensinos da igreja Católica nada tinham a ver com os ensinos de Jesus! A dúvida começou a crescer e eu comecei a não sentir mais alegria nas missas. Aliás, eu não sentia alegria nas missas. O que eu sentia era um prazer mórbido de extravasar minha alma em pranto, justificada pelas músicas e pelas palavras do padre.
Passando a compreender que a verdade não estava entre os padres, abandonei o catolicismo. Embora achasse que todos os crentes eram pegajosos e chatos, atendi ao convite da minha irmã. Ela estava em gravidez adiantada e o local do culto era muito apertado para o número de pessoas. O calor logo fez com que minha irmã se sentisse mal, ao ponto de desmaiar. Vendo isso, acudiram-na várias pessoas, inclusive a esposa do pastor. Eles começaram a orar e eu disse que era apenas o calor que a tinha deixado assim e que era preciso tirá-la dali para respirar ar fresco. Então a esposa do pastor, com ar solene me olhou e disse: – Você já tem Jesus como seu salvador? – Não foi uma idéia inspirada que ela teve, porque a única resposta que eu tive para ela foi: – Porque, vocês acham que Jesus é propriedade exclusiva dessa igreja? – E me levantei com minha irmã que já se recuperava um pouco e fui embora, indignada.
É claro que ela percebeu o que havia comigo e me disse, sabiamente: – Porque você não pára de ficar procurando Deus em tudo que é igreja e não vai pro teu quarto e ora, pedindo a Deus que te mostre onde Ele te quer? Esta sim foi uma palavra inspirada, pois para ela eu não tive resposta.
Bem, eu fiz o que ela me sugeriu, contra a minha vontade é claro. O Senhor se manifestou maravilhosamente em poucos dias e eu encontrei o meu lugar junto ao povo de Deus. Os detalhes não cabem aqui, mas quero dizer que isto aconteceu para que eu pudesse encontrar a alegria verdadeira. Contudo, a alegria só pode aparecer em meu coração depois de eu ter chorado todas as lágrimas por todos aqueles sentimentos de frustração, rejeição, indignidade, culpa, medo e sei lá mais o quê. Então eu sorri! Percebi que era importante pra Deus e então eu era importante pra todas as pessoas que conheciam a Deus, mesmo as que eu nunca tinha visto antes. Elas eram pessoas que tinham os mesmos sentimentos que eu e isso é maravilhoso.
E assim, em 1991, teve início um tremendo processo de cura da minha depressão e, vitória após vitória, jamais tomei um medicamento antidepressivo. O médico com quem me tratava é homeopata e a medicação aliviava em muito, mas, obviamente não eliminava a causa: falta de alegria! É, isso mesmo! Assim como as trevas são ausência de luz, o frio é ausência de calor, o medo é ausência de segurança, A DEPRESSÃO É AUSÊNCIA DE ALEGRIA!
Ao contrário do que se afirma, não entendo a depressão como uma doença. Ela é, para mim, o sintoma da doença. E ela é sintoma de diversas doenças que podem ser físicas, emocionais ou morais.
Não quero dizer, com isso, que a depressão seja um sintoma psicológico. Creio, e isso somente os médicos especialistas podem explicar, que diversas causas desencadeiam um processo físico que afeta a alma, tornando o humor depressivo.
Mas além disso, quando temos um problema físico, um trauma, um pós-cirúrgico, uma deficiência de vitamina, ferro, hormônio ou qualquer outra substância importante ao bom desempenho do nosso organismo, logo sentimos os sinais que são comumente: fraqueza, tonturas, enjôos, dores de cabeça, desânimo, irritação, inapetência ou apetite insaciável, nas mulheres o aumento das regras e das cólicas menstruais, nos homens a diminuição da atividade sexual e tantos outros sintomas que conhecemos. Estes problemas, se permanecerem por longo tempo, levam embora a alegria de viver, não só pelo desconforto, mas pelas conseqüências que geram na nossa vida, nos nossos compromissos e, principalmente, nos nossos relacionamentos. Então essa ausência de alegria transforma-se em depressão. Mas é comum as pessoas não fazerem essa ponte e acharem que a depressão é um fato isolado.
Outra causa da depressão é a culpa. Quando cometemos um erro e temos consciência dele, sem, no entanto, nos retratarmos, a culpa assume um status em nosso coração que subjuga a alegria e rouba a paz. Este estado de ânimo nos leva a uma profunda tristeza da qual não temos forças para sair sozinhos. Somente pela ministração do Espírito Santo é que chegamos ao arrependimento e à reparação do erro, o que nos traz novamente a alegria.
Finalmente, a alegria é também sobrepujada pela mágoa. Este sentimento nos faz sentir vítimas, injustiçadas e cheias de razão. Ainda que seja verdadeira a razão da mágoa, a alegria não vai permanecer em nosso coração juntamente com ela, pois a alegria é dom de Deus e guardar mágoa é pecado. Somente pela liberação do perdão é que somos livres da mágoa. Não há outra forma de ser curado desse mal terrível que é o pior de todos os males do coração humano, pois ele é alimentado pelo orgulho e pela justiça própria. Não tenho dúvidas de que a mágoa seja a maior responsável pelos desvios dos cristãos, pelos descaminhos dos ímpios e até mesmo pelos suicídios. Não foi por menos que Jesus chegou à cruz. Sua maior lição e preocupação é que aprendamos a perdoar, muito mais do que a buscar perdão, haja vista a culpa ser uma coisa da qual nós sempre queremos nos livrar e a mágoa, um tesouro que guardamos, pois nos faz sentir que somos melhores do que aquele que nos magoou. Então, que grande pecado é!
“Perdoai os nossos pecados assim como perdoamos …” Perdoar vem primeiro pois não posso ser perdoado se retiver perdão. Isto porque, liberar perdão faz parte da postura daquele que verdadeiramente se arrependeu do pecado do rancor que é raiz de amargura.
Por tudo isso, cheguei à conclusão de que a depressão não é o nosso maior inimigo, mas simplesmente um aviso de que há algo errado em alguma área da nossa vida. Assim como a febre nos avisa de problemas internos, a depressão nos avisa de que precisamos parar e fazer uma sondagem física, emocional e moral em nossa pessoa, para que, revelada a causa, possamos ter restabelecida a desejável alegria que é o toque do Senhor em nossos corações.
Particularmente, há muitos anos, toda vez que me sinto infeliz, faço uma consulta particular com Deus buscando a sondagem do Espírito Santo em meu coração. Caso a falta de paz permaneça, mesmo não havendo culpa ou mágoa, busco auxílio dos médicos para averiguar a causa física. Nesse tempo já descobri um hipotireoidismo que é campeão em causar depressão, anemia, que é uma forte concorrente, e vida sedentária, que diminui consideravelmente a disposição e a agilidade física e mental, comprometendo a alegria de viver. Mas, não seria honesta se não declarasse que a maior parte das vezes a depressão que me afligiu foi causada por culpa ou mágoa.
Alegria Por tudo isso, posso testemunhar, com grande alegria, que a Palavra do Senhor é vida e poder. Seu perdão traz renovo para nossas forças e liberar perdão a outrem, é saúde para os nossos ossos.
O meu desejo é que você possa se lembrar dessas coisas, caso seja surpreendido pela falta de alegria, e encontre no Senhor o caminho de volta para o centro da Sua vontade, que é perfeita eternamente. Amém. Mas também, que você procure, a cada dia, fazer a manutenção dessa alegria, através do convívio íntimo com o Senhor, porque “a alegria do Senhor é a nossa força” (Ne 8:17), “Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho.” (Sl 4:7), “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente.” (Sl 16:11),
“Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” (Sl30:5),
”Tornaste o meu pranto em folguedo; desataste o meu pano de saco, e me cingiste de alegria,” (Sl30:11),
“Formoso de sítio, e alegria de toda a terra é o monte Sião sobre os lados do norte, a cidade do grande Rei.” (Sl 48:2).
E não é só isso! Há muito mais na Palavra do Senhor! A Ele toda a honra e toda a glória! Amém!

Florianópolis, 18 de outubro de 2005.

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Tudo te é lícito

“Tudo te é lícito, … mas nem tudo te convém.”        (I Coríntios 6:12)

Vejo, no convívio da igreja, uma dificuldade tão “clássica” quanto    polêmica que é a questão do pode-não-pode para o servo de Deus.
Quantas discussões, das mais discretas e sufocadas às mais avivadas e facciosas, nós já presenciamos entre os membros da igreja de Jesus? Muitos, talvez a maior parte, não conseguem chegar a uma conclusão, a ponto de assumir, com alguma segurança, que Deus permite isso ou aquilo e, até para não cogitar que Deus deva ter se “esquecido” de escrever isso nas Escrituras ou, simplesmente deva ter deixado isso para nos “provar”, ignoram a crítica e estabelecem, para certas coisas, uma escala de valores própria, ou seja, praticar, às vezes até escondido, para não ser tropeço, ou abster-se, para não arriscar ofender a Deus.
No entanto, em nenhuma dessas duas escolhas há liberdade. Mas a Palavra de Deus nos garante que: “Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.” Então, como o próprio povo de Deus pode sofrer esse tipo de privação?
Uma das características mais marcantes da minha personalidade é a sensatez, isto é, o raciocínio fundamentado em critérios, no discernimento e na prudência. Logicamente isto nem sempre é um processo rápido, mas certamente é constante. Se eu tenho que decidir entre comprar um sapato ou outro, e, é claro, a vaidade logo pula na frente de todos os sentimentos, ela logo é “convidada” pela razão a se aquietar, pois esta tem uma ordem para as coisas: 1º conforto, 2º custo e terceiro, aparência. Isto não quer dizer que só compro sapatos confortáveis e baratos mesmo que sejam horríveis. Só significa que compro sapatos que passam pelo 1º e 2º critérios para então considerar a aparência. E vocês não imaginam a dificuldade que é para mim, comprar sapatos! Contudo, pode ser o mais lindo do mundo, se não for confortável e de preço acessível, fica na loja. As vezes que ignorei este raciocínio, joguei dinheiro fora.
Outras questões não são tão simples e podem levar dias ou meses e até anos para serem decididas, justamente por causa dos critérios. Isto me garante um mínimo de atitudes para me arrepender. Creio que Deus me deu esta capacidade porque sabia o quanto um erro pode me tirar a paz, seja por tê-lo ofendido ou pelo simples pecado do orgulho.
Bem, considerando isto, o resultado é que eu me enquadrava, normalmente, no grupo de pessoas que se abstém prontamente daquilo que não conseguem definir se pode ou não pode diante de Deus.
O outro grupo é aquele que pensa: – É melhor errar do que me arrepender de não ter feito. Ou: – Erra quem faz!
Bem, qual dos dois grupos está mais próximo de agradar a Deus? É claro: nenhum dos dois! Por quê?
“Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova.
Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado.” (Romanos 14:22-23)

Oh! Resolvido! O que se abstém não peca porque o que tem dúvida é condenado se comer ou fizer qualquer coisa com dúvida. Não! Porque a recíproca também é verdadeira: se eu não fizer, com dúvida no coração, também estou sem fé. E: “Sem fé é impossível agradar a Deus.” (Hebreus 11:6)
Voltamos então à estaca zero! E é esta polêmica a principal responsável pelas divisões na igreja de Jesus, que, tenho certeza, nunca cogitou organizar em denominações. Se assim fosse, Ele não teria “esquecido” de instruir seus discípulos.
Então, num momento de meditação sobre a vida de Carlos Finney, um grande evangelista do século XIX, li o seguinte:
“Alguns pregadores confiam na instrução e ignoram a obra do Espírito Santo. Outros, com razão, rejeitam tal ministério infrutífero e sem graça; oram a Deus para o Espírito Santo tomar conta e alegram-se no grande progresso da obra de Deus. Mas ainda outros, como Finney, dedicam-se a buscar o poder do Espírito Santo, sem desprezar a arma de instrução, e vêem resultados incrivelmente mais vastos.” (Heróis da Fé – pg 136).
Nesse momento meu coração se encheu da alegria que eu tinha desfrutado na noite anterior quando, na recepção do casamento de um irmãozinho, em companhia de meu filho, da sua namorada e de vários amigos da idade deles, eu pude dançar muito à vontade durante toda a festa. Dancei com um dos rapazes que estava com a namorada e com meu filho. Então me lembrei que esta fora a segunda festa de crentes em que isto acontecia, nos 14 anos de caminhada com Jesus, até então. E, para mim, esta é uma das questões polêmicas que eu resolvi nos primeiros anos da minha caminhada na fé.
Por que, então, isto tomou grande volume no meu coração nesse momento, a ponto de quase me emocionar? Logo soube a resposta porque o Espírito Santo me disse: escreve!
No mesmo instante me lembrei de um culto da mocidade no qual o pastor abriu seu coração sobre estes pode-não-pode, não sem causar, obviamente, algum desconforto. Graças a Deus vimos que muitos ali foram libertos do engano, tando do PODE, quanto do NÃO PODE. Mas, também notei que ainda ficou renitente a setinha maligna da dúvida no coração de alguns.
Este foi um dos dias em que a paixão pelos jovens mais encheu meu coração e transbordou pelos olhos. Benditas lágrimas! Obrigada, Senhor!
Peguei papel e caneta e comecei a escrever o que Deus derramava no meu coração. E ele me perguntou:
- Você acha que invadir países e cidades, matando e saqueando, é pecado?
Imediatamente me lembrei de tantas lutas desse tipo que foram realizadas pelo povo de Israel, a mando e sob o comando do próprio Senhor dos Exércitos.
Sem que eu pudesse completar o meu raciocínio, Ele me perguntou:
- Sabe porque eu fiz isto em outros tempos? Para ensinar aos homens que o reino das trevas não prevaleceria na Terra e, depois de vindo o Espírito Santo, os homens compreendessem que, exatamente da mesma forma, não prevaleceria nos céus. Isto é, determinei invasões, espada e saques, agora nas regiões celestiais, através da oração, súplicas, confissões, arrependimento e perdão, para destruir as edificações do inimigo e construir a minha obra.
Então percebi claramente que o Senhor desejava que seus jovens percebessem a diferença entre guerras e guerras. A diferença entre as invasões do Israel antigo e as lutas de hoje que assistimos todos os dias na TV. A diferença é a intenção!
Mas não pense que se você está “bem intencionado” isto justificará a tua atitude. Não! Nações, inclusive Israel, fazem guerra hoje e alegam que lutam pela paz. Se não fosse trágico, seria cômico!
A diferença não é se VOCÊ tem ou não tem boa intenção. O ponto é: a intenção é tua ou do Senhor?
Ora, pois não foi exatamente para isto que Jesus nos enviou o Espírito Santo? Para que conhecêssemos todas as intenções de Deus, revelando, como no caso das guerras, as estratégias e objetivos para Seu amado povo, tanto no passado quanto a nós, hoje, com relação ao inimigo sagaz, inteligente e irremediavelmente maléfico?
Como, então, estamos a patinar numa questão que desde Paulo é tão exaustivamente discutida, sem consenso entre nós?
Então, o Senhor me deu vários fatos que nos servem de exemplos na prática de uma vida santa diante Dele e do mundo.
Ele me mostrou como o diabo estrategicamente, tentou a Jesus, quando, num monte, mostrou a Ele os reinos da terra e os ofereceu em troca de adoração. Fácil, não? Nem precisaria pregar, ou passar três anos convivendo com doze homens duros de coração e, muito menos, chegar perto da cruz! Afinal, Jesus estava diante do possuidor da autoridade na Terra, ainda que fosse autoridade usurpada. E Jesus sabia que não era errado desejar essa conquista, só que não seria dessa forma, pois não era esta a intenção de Deus.
Então passei a rever coisas mais simples, do nosso dia-a-dia. Lembrei-me de como sou avessa a certos tipos de esportes, ditos radicais, que alguns praticam pelo simples prazer que têm no medo. “Adrenalina pura!” dizem. E então vejo que alguns sequer têm a elementar intenção de cultivar a saúde do corpo e fixam-se apenas nas sensações “agradáveis” que a atividade lhes proporciona. Mas graças a Deus pelos atletas que sempre auxiliam na busca e salvamento em situações de perigo e têm o coração disposto tanto quanto o corpo. Contudo, há uma diferença inteligente entre um atleta e outro. Os primeiros estão simplesmente tentando a Deus.
E quanto à bebida? Afinal, qual foi o primeiro milagre de Jesus? Lembrem-se, a festa já corria velha pois todo o vinho já tinha acabado. E porquê? Bem, é óbvio: os participantes tinham bebido tudo! Mas você nunca se perguntou se Jesus usaria uma atitude ilícita para demonstrar o poder Daquele que o enviara? Ah! Mas então podemos beber à vontade desde que seja uma festa de casamento? Ora, Paulo discerne isso com grande sabedoria em Efésios 5:18. “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito;”
Também Salomão, o mais sábio dentre os homens, aconselhava no livro de Provérbios, capítulo 23, versos 29 a 35:
“Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos?
Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado.
Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente.
No fim, picará como a cobra, e como o basilisco morderá.
Os teus olhos olharão para as mulheres estranhas, e o teu coração falará perversidades.
E serás como o que se deita no meio do mar, e como o que jaz no topo do mastro.
E dirás: Espancaram-me e não me doeu; bateram-me e nem senti; quando despertarei? aí então beberei outra vez.”
Veja, eles não dizem: – Não bebeis vinho! Não se aproximem do vinho! A chamada é para o domínio próprio que é fruto do Espírito. É para que não nos submetamos ao poder do vinho ou de qualquer bebida alcoólica ou outro tipo de química que nos roube o domínio sobre o nosso raciocínio e nossa vontade, pois isto nos deixaria à mercê do homem mau, da mulher perversa e do próprio diabo.
Tal afirmação faço com paz no coração, pois não seria verdade se o próprio Jesus, não somente tivesse dado muito mais vinho à festa, como também o melhor vinho, não opondo censura ao beber vinho quando exatamente iniciava seu maravilhoso ministério entre os homens. E, não esqueçam, ele também bebeu do fruto da videira.
No entanto, acreditem, há quem diga que o vinho de antigamente não era fermentado! Pode? Estes certamente não conhecem tudo o que está escrito sobre o vinho na Bíblia. Por que, então, Jesus fala que não se põe vinho novo em odre velho? Porque o vinho novo quando fermentar vai arrebentar o odre com a pressão que se formará pela liberação de gazes no recipiente fechado.
E que dizer de Noé com seu conhecido vexame que custou a Cam a maldição por ter desonrado a seu pai? Ora, mas se foi Noé quem se embriagou, porque o filho é quem sofreu o dano? Pesemos, então, o coração dos dois, sem resistência, para que Deus possa nos revelar Seu julgamento. Contudo, pessoalmente, tenho certeza de que o Senhor não teve este deslize de seu amado servo Noé em outra conta que não a do pecado.
Agora, meus amados, não vão acabar esta leitura e sair por aí dizendo que Deus disse que a gente pode beber se não for prá ficar embriagado! Certamente que não! Porque, além deste ser somente um dos pontos mais polêmicos no meio da igreja, tem muito mais coisas em pauta: o tropassaieço, a Lei dos homens e a simples regra da liberdade x libertinagem.
Portanto, irmãozinhos e irmãzinhas, se cada um de vocês se reconhece como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, leia e entenda o que está escrito em todas estas linhas. Coloque-se diante de Deus em TODAS as tuas decisões, das mais simples como quanto colocar de comida no teu prato ou a que filme assistir, até às mais profundas como profissão, casamento, aquisição de imóveis e, principalmente, teu lugar na obra. Fale abertamente para Ele como se Ele nada soubesse. Descreva detalhadamente teus desejos e sentimentos e como você planeja alcançá-los. E, então, fique firme na atitude errada se você for capaz de resistir ao que o Santo Espírito do Senhor vai ministrar no teu coração. Mas, não se esqueça de fazer antes uma entrega total, confessando os teus pecados nominalmente e suplicando ao nosso Bom Deus e Pastor que não te deixe com a maldição da dúvida que é pecado poderoso em destruição. Comece a exercitar isto agora mesmo na tua próxima atitude. No começo você pode se atrapalhar um pouco e, às vezes, não vai dar tempo e vai notar que nossa tendência é agir antes e “vigiar” depois. Mas, se você perseverar, vai começar a ser adestrado pelo Espírito Santo, pois Deus, que ama a obediência, vai derramar em sua vida uma porção maravilhosa dessa unção que lava a dúvida e firma os pés daquele que O tem como Senhor!

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O pior mal

A desobediência é louca, mas a condescendência é maligna!

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Casamento

Efésios 5:
“22 Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor;
23 porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o Salvador do corpo.
24 Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o sejam em tudo acasamento seus maridos.
25 Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,
26 a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra,
27 para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
28 Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.
29 Pois nunca ninguém aborreceu a sua própria carne, antes a nutre e preza, como também Cristo à igreja;
30 porque somos membros do seu corpo.
31 Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne.”

Você já observou as gotas d’água numa janela? Vem uma pequena lá de cima e, no meio de tantas, encontra uma e junta-se a ela. Seguem mais um pouco e encontram outra. Lá de cima, do outro lado, vem rápido outra que pára próximo e acaba juntando-se às primeiras. Assim, várias gotas vindas de pontos diferentes da vidraça, juntam-se até terem peso suficiente para escorrer vidro abaixo numa gota de verdade. Uma gota d’água contém a quantidade exata de água para ser uma gota. Assim, o conhecimento sobre algo tem a quantidade certa de informações discernidas para ser conhecimento.
Temos aprendido tantas coisas a respeito do casamento, mas uma gota especial encontra-se nestes versículos.
A palavra de Deus diz que o Seu relacionamento com a igreja é um casamento desta com seu Filho (o noivo e a noiva).
Nos versos acima o Senhor diz que o homem deve amar:
Amar é: (Dicionário La Rousse Cultural)
Ter amor, afeição, ternura, dedicação, devoção’; querer bem. Estimar, gostar, apreciar. (grifos meus)
Estima e apreço têm a ver com valorizar, considerar de alto preço.
Paulo não está falando de sentir amor, no âmbito do coração. Ele ordenou ao homem que exerça o amor para com a mulher, como Ele próprio ama a igreja. Ele não perde sua igreja de vista e ela é o seu único objetivo. Tudo o que Ele faz é para a edificação, bem estar e alegria dela.
À mulher o Senhor ordena sujeição:
“Semelhantemente vós, mulheres, sede submissas a vossos maridos; para que também, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavra pelo procedimento de suas mulheres,”(I Pedro 3:1)
Submeter. (Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda)
[Do lat. submittere.] V. t. d. 1. Reduzir à obediência, à dependência; sujeitar, subjugar:
Sujeitar é: (Dicionário La Rousse Cultural)
Tornar sujeito, que por sua vez é: Que se sujeitou ao poder do mais forte; súdito. Que se conforma; que se deixa guiar por alguém ou por alguma coisa. Domado, escravizado, cativo; que não tem vontade própria. Dependente, submetido, comprometido a obedecer. Que está naturalmente disposto, inclinado ou habituado a alguma coisa. Que é de natureza a produzir efeitos. Que pode dar lugar, ocasião ou ensejo a alguma coisa. (grifos meus)
Também aqui o Senhor, através de Pedro, não está falando de sentimentos, mas de disposição de coração. Então, temos que: o exercício do amor por parte do homem produz sujeição da mulher no relacionamento, assim como a sujeição da mulher produz o amor do homem no relacionamento.
Esta é a chave, o segredo, a senha para esta aliança tão especial que Deus não criou sem o maravilhoso propósito de levar a humanidade a permanecer sob seus cuidados. Tão especial que é comparada à maior de todas as alianças: a do Senhor e sua amada igreja.
Sabemos que, naturalmente, não temos amor. O amor é dom de Deus. Por isso é necessária a sujeição da igreja ao Senhor. Se nos fixarmos neste exemplo perfeito não há como confundir os papéis num casamento. É impossível, à igreja, conhecer o amor se não estiver sujeita ao Senhor. Da mesma forma, o Senhor não pode exercer o amor a um povo insubmisso: “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” (Efésios 5:6)
Assim como o Senhor não rejeita a um coração contrito, o homem quebranta-se diante da esposa submissa e, obviamente, não estamos falando de cativeiro imposto, senão de submissão voluntária, tanto da esposa ao marido quanto da igreja ao seu Senhor.
Com esta última gotinha o Senhor completou o conhecimento que me faltava, tornando em verdadeira gota que, escorrendo vidro abaixo, transbordou em meu coração, satisfazendo completamente todas as questões que estão encerradas debaixo desta ordem precisa, destas instruções perfeitas, desta aliança maravilhosa que nasceu no coração de Deus, chamada casamento.

Florianópolis, 03 de junho de 2001.

CASAMENTO

Efésios 5:

22 Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor;

23 porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o Salvador do corpo.

24 Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres o sejam em tudo a seus maridos.

25 Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,

26 a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra,

27 para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.

28 Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.

29 Pois nunca ninguém aborreceu a sua própria carne, antes a nutre e preza, como também Cristo à igreja;

30 porque somos membros do seu corpo.

31 Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne.”

Você já observou as gotas d’água numa janela? Vem uma pequena lá de cima e, no meio de tantas encontra uma e junta-se a ela. Seguem mais um pouco e encontram outra. Lá de cima, do outro lado vem rápido outra que pára próximo e acaba juntando-se às primeiras. Assim, várias gotas vindas de pontos diferentes da vidraça, juntam-se até terem peso suficiente para escorrer vidro abaixo numa gota de verdade. Uma gota d’água contém a quantidade exata de água para ser uma gota. Assim, o conhecimento sobre algo tem a quantidade certa de informações discernidas para ser conhecimento.

Temos aprendido tantas coisas a respeito do casamento, mas uma gota especial encontra-se nestes versículos e, certamente será a informação que falta para que muitas gotículas de relacionamentos venham a se tornar gotas na vida de muitos casais.

A palavra de Deus diz que o Seu relacionamento com a igreja é um casamento desta com seu Filho (o noivo e a noiva).

Nos versos de Paulo o Senhor diz que o homem deve amar: “Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.”(Efésios 5:28)

Amar é: (Dicionário La Rousse Cultural)

Ter amor, afeição, ternura, dedicação, devoção’; querer bem. Estimar, gostar, apreciar. (grifos meus)

Estima e apreço têm a ver com valorizar, considerar de alto preço.

Paulo não está falando de sentir amor, no âmbito do coração. Ele ordenou ao homem que exerça o amor para com a mulher, como Ele próprio ama a igreja. Ele não perde sua igreja de vista e ela é o seu único objetivo. Tudo o que Ele faz é para a edificação, bem estar e alegria dela.

À mulher o Senhor ordena sujeição:

Semelhantemente vós, mulheres, sede submissas a vossos maridos; para que também, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavra pelo procedimento de suas mulheres,”(I Pedro 3:1)

Submeter. (Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda)

[Do lat. submittere.] V. t. d. 1. Reduzir à obediência, à dependência; sujeitar, subjugar:

Sujeitar é: (Dicionário La Rousse Cultural)

Tornar sujeito, que por sua vez é: Que se sujeitou ao poder do mais forte; súdito. Que se conforma; que se deixa guiar por alguém ou por alguma coisa. Domado, escravizado, cativo; que não tem vontade própria. Dependente, submetido, comprometido a obedecer. Que está naturalmente disposto, inclinado ou habituado a alguma coisa. Que é de natureza a produzir efeitos. Que pode dar lugar, ocasião ou ensejo a alguma coisa. (grifos meus)

Também aqui o Senhor, através de Pedro, não está falando de sentimentos, mas de disposição de coração. Então, temos que: o exercício do amor por parte do homem produz sujeição da mulher no relacionamento, assim como a sujeição da mulher produz o amor do homem no relacionamento.

Esta é a chave, o segredo, a senha para esta aliança tão especial que Deus não criou sem o maravilhoso propósito de levar a humanidade a permanecer sob seus cuidados. Tão especial que é comparada à maior de todas as alianças: a do Senhor e sua amada igreja.

Sabemos que, naturalmente, não temos amor. O amor é dom de Deus. Por isso é necessária a sujeição da igreja ao Senhor. Se nos fixarmos neste exemplo perfeito não há como confundir os papéis num casamento. É impossível, à igreja, conhecer o amor se não estiver sujeita ao Senhor. Da mesma forma, o Senhor não pode exercer o amor a um povo insubmisso: “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” (Efésios 5:6)

Assim como o Senhor não rejeita a um coração contrito, o homem quebranta-se diante da esposa submissa e, obviamente, não estamos falando de cativeiro imposto, senão de submissão voluntária, tanto da esposa ao marido quanto da igreja ao seu Senhor.

Com esta última gotinha o Senhor completou o conhecimento que me faltava, tornando em verdadeira gota que, escorrendo vidro abaixo, transbordou em meu coração, satisfazendo completamente todas as questões que estão encerradas debaixo desta ordem precisa, destas instruções perfeitas, desta aliança maravilhosa que nasceu no coração de Deus, chamada: casamento.

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Uma Parábola

O    nosso relacionamento para com Deus é semelhante ao menino que, tendo ganhado de presente um lindo brinquedo, ficou muito feliz. Mas, apesar de ter gostado demais, o menino tinha muitas outras coisas a fazer e não dedicou zelo ao lindo brinquedo.
Certo dia… o brinquedo quebrou! Ah! Que dor! Ele amava aquele brinquedo! Era o seu preferido. Todas as outras coisas passaram a não ter mais importância e seu coração estava agora, mais vazio do que nunca.
Triste, o menino olhou e avaliou o estrago, percebendo, então, que não tinha nem capacidade e nem material para consertá-lo; não tinha poder para fazê-lo.
Mas, uma luz acendeu em seu pensamento e seu coração se encheu de esperança:
- Meu pai!
Bem depressa, com o brinquedo em pedaços, correu à procura do pai. Encontrou-o lendo tranquilamente seu jornal na sala.
- Pai. Disse ele meio alegre, meio envergonhado: ansioso! – Pai, meu brinquedo quebrou. É o meu preferido; e eu não posso conserta-lo. Tampouco posso viver sem ele! Mas tu… sei que podes. Faz isso prá mim?
O    pai, que tendo baixado o jornal, ouvia o filho com ternura e paciência,  sorriu e disse:
- Se queres que eu conserte, entrega-o a mim.
Por alguns instantes o menino sofreu: não poderia separar-se do brinquedo quebrado – não agora, pois percebera o quanto lhe era importante e teve medo. Pensou:
- E se ele não consertar? E se não ficar bom, do jeito que eu quero? E se ele resolver não me devolver? E se…
O    pai, experiente, conhecendo o que se passava no coração de seu filho, disse, manso e firme:
- Se queres teu brinquedo consertado, entrega-o.
O    menino entregou: doeu, ficou vazio, deu por perdido, chorou, dormiu angustiado e acordou de luto! O mundo perdeu o brilho. Nem chocolate lhe poderia agradar.
- E se ele não consertar? pensava:
Tem tanta coisa quebrada nesta casa… porque ele vai se preocupar justo com meu brinquedo? Mas, ele prometeu…
Resolveu confiar:
- Meu pai vai dar um jeito. Ele sempre diz que me ama e que posso confiar nele. É! Se isso tem um jeito – ele vai achar!
Todo dia o garoto voltava ao assunto:
- Pai, já arrumou meu brinquedo? Tá demorando! Eu nem posso estudar ou dormir direito – só penso em poder brincar novamente com ele! Ah! Quando estiver pronto… nunca mais largo dele – vou cuidar direitinho! Eu fui mesmo um relaxado!… Como estou arrependido!
O pai ficava satisfeito de ver o filho perceber as verdades na dor e crescer. Dizía lhe:
- Espera filho, estou trabalhando no brinquedo todos os dias, leva tempo! Aquieta teu coração.
E assim, passaram-se muitos dias. Dias demais para qualquer menino. Ah! Insuportável para este cheio de vida e de planos! Então… num repente…
- Não dá! Vou ver o que está acontecendo e, quem sabe, eu possa fazer algo prá acelerar esse conserto?
Correu então para o escritório do pai, abriu a porta de mansinho e… lá estava. Sobre a mesa de trabalho, bem diante da cadeira de seu pai:  o brinquedo! Inteiro!
Chegando maís perto percebeu que aínda havia uma peça que não fora colada. Ao lado….. a cola! Pensou com o coração aos pulos: – Quem sabe ele não teve tempo prá ísso? Vou ajudar!
Então, com suas mãozínhas ínexperíentes e sem perceber que outras partes estavam coladas recentemente, estragou todo o trabalho do paí. Que desespero! Cheio de culpa pensou:
- Meu brinquedo!?! E agora?
- Sou mesmo um burro! pensava… Além de ficar sem o brinquedo, como vou encarar meu pai outra vez?
Escutou passos. Que terror! Correu para detrás das cortinas. Se não o encontrasse pela respiração que estava suspensa, certamente ouviria seu coração que batia como o bumbo da banda!
Pela fresta da cortina observou: o brinquedo desmontado sobre a mesa e algumas peças ainda caíram no chão por causa do desespero e da fuga.
Pensava:
- Não tem mais jeito, era melhor nunca ter ganhado este brinquedo. Eu não mereço mesmo! Nem mereço ter um pai! Ele deve ter vergonha de mim! Ele vai me odiar e não vai mais falar comigo. Bem feito prá mim!
Com o coração num ritmo mais calmo e com o ar de volta aos pulmões, admitiu para si mesmo:
- Não posso mesmo ficar aqui pro resto da vida.
De cabeça baixa, com uma dor estranha, diferente, que lhe envolvia todo o corpo e anestesiava seus sentidos, caminhou na direção da porta. Ouviu:
-    Filho!
Parou. Gelou. Não tinha coragem de olhar prá trás. Precisava fugir. Mas, que estranho… não queria… e agora?
Ouviu novamente:
- Filho! (quando é que esta voz se tornou tão doce?)
- Filho! Olha prá mim.
O menino virou-se. Olhou! Nunca poderá descrever o que sentiu. Seu pai estava sério, e havía tristeza em seus olhos. Mas, seus braços … seus braços estavam abertos para ele…
Sem pensar mais nada, o menino correu. Correu para os braços do pai e chorou. Convulsivamente chorava e falava – explodia em sentimentos de culpa e arrependimento. Sossegou.
- Filho. O que fizeste foi errado: Não confiaste em mim. Subestimaste meu interesse por teu problema. Mexeste em algo que estava sob o meu domínio, minha responsabilidade. Não pediste licença. Te julgaste mais sábio do que teu pai. Concordas?
Envergonhado, querendo ficar invisível, consentiu com a cabeça murmurando um “concordo” muito embrulhado.
- Bem, disse o pai: – Se queres, ainda posso fazê-lo. Mas, terás que esperar. Esperar mesmo: esquecer. Voltarás às tuas atividades e não me perguntarás mais todo o tempo se já terminei, certo?
- Certo! Respondeu.
E para si mesmo: – Claro que está certo!
Vendo-se livre de um peso enorme, o menino saiu. Já não era o mesmo que entrara naquela sala.
O tempo passou. E ele sempre se lembrava do brinquedo mas, olhava para o pai e confiava.
Sentia saudade do brinquedo preferido. Aquele que sempre quis ter e, quando teve, não cuidou. Chorava no seu quarto. Limpava o rosto e saía de novo. Quase esqueceu; livrou-se da dor, como a dor por alguém que já morreu há muito tempo.

Certo dia….
- Filho, vem comigo.
Tomando-o pela mão, o pai o levou até seu escritório. Pegou-o no colo e sentou-se à mesa. Ali havia uma caixa. Uma caixa de presente.
- Abra. Disse-lhe o pai.
O    menino abriu. Não podia acreditar! Seu brinquedo preferido! Novinho em folha!
- Pai! Exclamou o menino: – Ficou lindo!
Pensou: – Como pode? Não há nem marcas de emendas; é como novo! Perguntou:
-    E outro?
-    Filho! Disse com ternura, o Pai: – Tens vivido toda a tua vídinha comigo e ainda não me conheces? Não conheces o poder da minha dedicação? O meu trabalho é feito com amor e sendo assim não deixa marcas. Não fica cicatriz!
Então, aquele filho, erguendo os olhos do brinquedo tão querido, encontrou os olhos do pai. Nunca percebera aqueles olhos: mansos, doces…
Pensou:
- Ele sorri com os olhos!…
Amou-o! Então, seu coração se encheu desse sentimento e transbordou. Não ficou mais nem um Iugarzinho vazio! Engraçado… o brinquedo já não tinha a mesma importância. Olhou o presente e alegrou-se! Pensou:
- Eu nem acredito!
- Filho! Tornou a falar o pai, enquanto o menino olhava novamente para seus olhos, agora atraído… enlevado!
- Filho! Eu estou sempre tão perto. Não venhas a mim só quando precisares mas, venhas também com os teus brinquedos inteiros. Brinquemos juntos. Venhas contar dos teus amigos, da tua escola, das tuas alegrias, das tuas derrotas… venhas sempre pois eu te amo!
- Pai! Me diz; eu quero saber! – Porque há tantas coisas quebradas nesta casa se tu podes fazer um trabalho tão bom?
- Filho, vê: há muitas coisas quebradas, mas, há tantas consertadas e tantas outras que nunca se quebraram. Teus irmãos às vezes trazem coisas para que eu as conserte. Outros trazem antes de quebrar; aprendem comigo a brincar da maneira certa e têm seus brínquedos por muito tempo. Mas, cada um tem o direito de escolher o que fazer com seus pertences. Eu lhes dei esse direito, assim como lhes dei os pertences.
Não vou até seus aposentos mexer em algo que não está sob a minha guarda. Seria desonroso tal procedimento. No entanto, todos, assim como você, sabem que estou aqui e que os amo. Eu tenho mostrado isso todos os dias, não tenho? Olha à tua volta! Não vês o fruto do meu amor por ti?

“Bom   é o Senhor para os que esperam  nele, para a alma que o busca.”  (Lm 3:25)

(Florianópolis, 25.01.96)

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