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A Jóia
por Mara Protta em Sem categoria as 31 de agosto de 2009
Cada um de nós, tendo nossas convicções pessoais, apesar de tudo o que o mundo se manifeste contrário, é, para Deus, semelhante a uma jovem que, recebendo de sua mãe um anel muito bonito, ouviu:
- Filha, guarda bem esta jóia, pois foi passada a mim por minha mãe e a ela por minha avó. E assim tem sido há muitas gerações. Cada uma cuidou guardá-la e conservá-la, pois sabe-se que é de ouro maciço e a pedra é extremamente rara e valiosa. Há de garantir segurança e bem estar àquela que, por desventura, encontre-se em necessidades.
A jovem, com o coração comovido e tomada pela grande responsabilidade de honrar a história de sua família, guardou o patrimônio e exibia sua jóia sempre que a ocasião requeria.
Certo dia, numa grande recepção onde diversas pessoas exibiam jóias das mais exóticas e belas, uma senhora perguntou àquela jovem sobre seu anel. A moça contou-lhe, com notada convicção, tudo quanto sua mãe a informara e sentiu-se alegre e digna de sua posição.
Porém, a senhora lhe disse suavemente:
- Minha querida, você já levou este anel para um perito avaliar? Você tem certeza que é ouro puro e que esta pedra é conforme sua mãe acredita ser?
Imediatamente a moça reagiu defendendo o que acreditava ser seu tesouro.
- Ah! Minha senhora, esta jóia tem passado de mãe para filha há séculos e acredito no que minha mãe diz!
- Sim, minha filha, disse a bondosa senhora, sua mãe certamente a ama e não mentiria para você. Contudo, eu lhe pergunto: a peça já foi avaliada? Bem, se não foi, há um ourives, O Mestre dos Ourives, que terá grande prazer em recebê-la e lhe fornecer todos os dados sobre a procedência e composição de seu lindo anel.
Ao final da recepção a moça foi para casa com o coração pesado. Pensava: – Numa coisa aquela senhora tem razão; se o tal Mestre dos Ourives avaliar nossa herança, muito mais valor ela terá e será a nossa alegria. Porém, se eu não tiver a coragem de me expor a esta avaliação, posso estar usando uma jóia falsa, sem valor algum. Tampouco posso me desfazer dela pois corro o risco de jogar fora uma preciosidade. Sem a luz da sabedoria o que tenho? Pode ser que eu tenha realmente um tesouro mas, pode ser que eu não tenha nada…
Florianópolis, 30 de maio de 1997