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Ensinando a aprender

Eu não sei como era ou é, no teu tempo de estudos, mas no meu, quando o professor entrava na sala de aula e dizia “matéria nova”, nós já sabíamos como seria a aula. O professor fazia a chamada e depois pegava o giz e começava a escrever no quadro. Escrevia em metade do quadro, porque era muito grande. De cima a baixo ele escrevia. E nós tínhamos que copiar tudo em silêncio. Terminada a primeira metade, ele fazia um risco e recomeçava a escrever na parte superior da outra metade do quadro. E quando este quadro não era suficiente, ele se dirigia ao outro quadro na lateral da sala, que também ocupava a parede toda, e escrevia, primeiro numa metade e depois na outra. O giz não descansava no apoio enquanto a matéria não estivesse toda reproduzida para que pudéssemos copiar.

Não havia qualquer explicação sobre o assunto, enquanto todos os alunos não tivessem terminado a cópia, por respeito e incentivo aos mais lentos. Caso não houvesse tempo para todos, o professor incentivava os alunos a emprestarem seus cadernos para quem não conseguira, copiar em casa. Nesses casos, só na aula seguinte haveria explicação da matéria. O mais difícil, às vezes, era terminar de copiar alguma coisa que não fazia o menor sentido pra mim. Ou pior, que me parecia estar errado por eu ter alguma noção distorcida daquele assunto. Mas não era possível perguntar nada nessa etapa da aula pois isso acarretaria muito atraso na matéria e poderia causar confusão para os colegas. Era preciso esperar a explicação do professor. Ele sabia o que estava escrito ali e era a pessoa certa para nos dar o entendimento. E o professor esperava que confiássemos na sua explicação como sendo verdadeira porque ele havia estudado o assunto com dedicação e havia buscado o conhecimento em fontes seguras. Se o professor desejasse expor seus pensamentos pessoais a respeito da matéria, ele teria a hombridade de nos revelar que era uma opinião pessoal e não uma causa estabelecida como verdade, pelos estudiosos da área. Em contrapartida, ele nunca esperaria que soubéssemos do que se tratava, dos princípios expostos em palavras, do conteúdo profundo ou mesmo superficial da matéria, antes de sua explanação sobre o ensino contido na lição.

Hoje, vemos o ensino, infelizmente, muito diferente disso: banalizado, infestado de argumentações pessoais que são, no mais das vezes, repassadas como a essência da verdade. E, pobres dos alunos que não têm o hábito da pesquisa. Correm o risco de levar enganos em suas mentes e em suas escalas de valores, para o resto de suas vidas.

O que não dizer, então, sobre o ensino da Palavra de Deus? Ah! Fico pensando como é que o Senhor olha para o que o homem chama de igreja, mas que nunca foi plano Dele estabelecer, em grande parte das congregações. E porquê? Porque os professores não são mais como foram os do meu tempo de escola e os alunos, por sua vez, não recebem o ensino da mesma forma, com a mesma disposição de coração, até porque nem isso tem sido mais ensinado: o aprender.

Para honra e gloria do Senhor, há mestres que transmitem a Palavra de Deus em sua mais profunda fidelidade ao que o próprio Senhor lhes ensinou. Esses tais são os que buscam conhecimento e discernimento na única fonte segura: a presença de Deus. O coração do mestre que é aprovado por Deus e que está apto a ensinar Sua verdade, é como o do apóstolo Paulo:

2º Corintios  3:16
Começamos outra vez a recomendar-nos a nós mesmos? Ou, porventura, necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós, ou de vós?
Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens, sendo manifestos como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração.
E é por Cristo que temos tal confiança em Deus;
não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.

No entanto, há, pela força da injustiça que habita no coração dos servos infiéis, a arrogância de se ensinar o que não se aprendeu. E isto se deve por um de dois motivos: ou o mestre negligencia os estudos e a oração, ou simplesmente Deus ainda não lhe revelou a verdade sobre aquilo que ele se dispõe a ensinar. Em ambos os casos, o engano é a essência da lição.

Salmos : 25:12-15
Qual é o homem que teme ao Senhor? Este lhe ensinará o caminho que deve escolher.
Ele permanecerá em prosperidade, e a sua descendência herdará a terra.
O conselho do Senhor é para aqueles que o temem, e ele lhes faz saber o seu pacto.
Os meus olhos estão postos continuamente no Senhor, pois ele tirará do laço os meus pés.

Esta é a nossa deixa, a fala do Senhor para que tenhamos garantia no aprender e no ensinar. E também para que lembremos que o que não está revelado, não tem explicação que o homem possa dar. É para ser lido, guardado em nossas mentes para que, no tempo certo do Senhor, a explicação venha e traga o entendimento, o correto aprendizado e as consequentes bênçãos.

João 14:26
Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito.

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A Verdade

Meus dezessete anos foram em um divisor de águas na minha vida. Lembro-me, com lucidez assombrosa, do momento em que meu coração ardia em dúvidas e, em um clarão de consciência, declarei em voz alta: Eu quero A VERDADE! Não vou descansar enquanto não encontrar A VERDADE!

É engraçado como lembranças de pensamentos sempre me retornam juntamente com a visão física do momento em que aconteceram. Nesse instante que desejei ardentemente a Verdade, eu estava em frente ao meu guardaroupas, um grande reoupeiro que tomava toda a parede do quarto e era de uma embuia escura e linda.

Jamais esqueci desse momento. No entanto, não tinha a menor idéia do que procurava. Minha vida, meus planos homanos e meus afazeres, em nada se alteraram. Mas, a partir daí, sei que meu coração começou uma grande luta. A aceitação das coisas já não era sem argumentos e quanto mais eu argumentava mais o mundo me estrangulava.

Com o passar dos anos tornei-me uma ilha, aparentemente sociável, mas sedenta, faminta e alerta para tudo o que fosse esclarecedor, que alimentasse minha alma. Tudo que eu fazia, era como se estivesse me agarrando à última tábua solta do navio naufragado.

E Deus devia me olhar com tanta ternura e balançar a cabeça pacientemente, esperando que eu paresse de lutar para poder me socorrer sem que eu o rejeitasse. Ele nunca age contra nós, mesmo que seja com a intenção de nos salvar. Este é o cerne do Livre Arbítrio!

Muitas vezes Ele providenciou para que eu tivesse acesso à Sua Palavra e ao conhecimento da Sua Vontade que é perfeita eternamente, amém! Mas o apego ao mundo, cujo teor de sedução eu ignorava, impedia-me de ver exatamente o que eu mais desejava encontrar!

Muitos de vocês devem ter tido a experiência de levar uma criança à escola, ou ao médico, contra a vontade dela e ter lutado com pézinhos e mãozinhas que insistiam em agarrar-se no seu corpo, lutando desesperadamente para não se afastarem.

Pois creio que era exatamente assim que o Senhor agiu comigo por anos seguidos. Ele soltava uma das minhas mãos e eu agarrava o mundo com a outra, com um coração desesperado por querer o novo e não ter coragem de soltar o velho. Agarrava meus planos, meus desejos, meus pecados, minhas dúvidas, minhas parcas convicções, minha obtusa consciência de mim mesma.

Então Deus tomou a decisão que todos nós, como pais, tomamos para o bem dos nossos filhos. Desprendeu-me de tudo a que eu me agarrava e colocou-me sentadinha num canto da escola da vida para que, sozinha, sem nada diante dos meus olhos, eu pudesse respirar, levantar o rosto e perceber a realidade!

Então eu O vi; perto, atencioso, cuidadoso! Comecei a notar todas as providências que Ele sempre tomara mesmo nos momentos mais difícies quando parecia que eu estava sozinha e ferida.

Foi quando “ouvi” pela primeira vez seu chamado:
“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.
Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.” (Mateus 11:28-30)

Vocês têm noção do quanto isso foi atrativo para mim? Era como ter andado dias no deserto, alem da seca, o sol escaldante e o frio noturno. Um oásis! Uma visão magnífica! Um jorro de esperança na minha alma foi despejado e eu mergulhei nele! Glória a Deus por esse dia!

Hoje, após vinte anos, lendo a Palavra do Senhor em oração, pude degustar saborosamente a mais contundente declaração de Jesus para alguém que buscava a Verdade:
“Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais tera fome; e o que crê em mim jamais terá sede.” (Mateus 6:35)

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A Jóia

Cada um de nós, tendo nossas convicções pessoais, apesar de tudo o que o mundo se manifeste contrário, é, para Deus, semelhante a uma jovem que, recebendo de sua mãe um anel muito bonito, ouviu:
- Filha, guarda bem esta jóia, pois foi passada a mim por minha mãe e a ela por minha avó. E assim tem sido há muitas gerações. Cada uma cuidou guardá-la e conservá-la, pois sabe-se que é de ouro maciço e a pedra é extremamente rara e valiosa. Há de garantir segurança e bem estar àquela que, por desventura, encontre-se em necessidades.
A jovem, com o coração comovido e tomada pela grande responsabilidade de honrar a história de sua família, guardou o patrimônio e exibia sua jóia sempre que a ocasião requeria.
Certo dia, numa grande recepção onde diversas pessoas exibiam jóias das mais exóticas e belas, uma senhora perguntou àquela jovem sobre seu anel. A moça contou-lhe, com notada convicção, tudo quanto sua mãe a informara e sentiu-se alegre e digna de sua posição.
Porém, a senhora lhe disse suavemente:
- Minha querida, você já levou este anel para um perito avaliar? Você tem certeza que é ouro puro e que esta pedra é conforme sua mãe acredita ser?
Imediatamente a moça reagiu defendendo o que acreditava ser seu tesouro.
- Ah! Minha senhora, esta jóia tem passado de mãe para filha há séculos e acredito no que minha mãe diz!
- Sim, minha filha, disse a bondosa senhora, sua mãe certamente a ama e não mentiria para você. Contudo, eu lhe pergunto: a peça já foi avaliada? Bem, se não foi, há um ourives, O Mestre dos Ourives, que terá grande prazer em recebê-la e lhe fornecer todos os dados sobre a procedência e composição de seu lindo anel.
Ao final da recepção a moça foi para casa com o coração pesado. Pensava: – Numa coisa aquela senhora tem razão; se o tal Mestre dos Ourives avaliar nossa herança, muito mais valor ela terá e será a nossa alegria. Porém, se eu não tiver a coragem de me expor a esta avaliação, posso estar usando uma jóia falsa, sem valor algum. Tampouco posso me desfazer dela pois corro o risco de jogar fora uma preciosidade. Sem a luz da sabedoria o que tenho? Pode ser que eu tenha realmente um tesouro mas, pode ser que eu não tenha nada…

Florianópolis, 30 de maio de 1997

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